Juventude…

Posted: 14th dezembro 2009 by Guto Mihadj in Guto Mihadj
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… não tão transviada

diretas Não tenho cabelos brancos, não participei da formação do Partido Comunista, ou de qualquer outro partido. Não “sei” o que foi a Dita-dura, nem compareci nas reunião do antigo MDB. Não participei de nenhuma das manifestações das “Diretas Já”, nem na posse de Tancredo que morreu quase que de véspera, e não me arrependi por ter acabado de nascer e faltar na posse de seu sucessor, Sarney. Não fui votar no Collor vestido de verde-amarelo como pedido, nem de preto como foi evidenciado por muitos. Depois disso eu estava no colo de mamãe durante os “caras pintadas”, mas mamãe também não estava na rua e sim no aconchego do seu humilde lar. Não votei contra o Luiz Inácio Lula da Silva em nenhuma das vezes em que ele perdeu, e na primeira oportunidade que tive de votar contra ele em 2002, quem perdeu fui eu.

Gostaria de ter nascido quando a, dita, consciência política do meu país fosse um pouco mais ativa. Nasci num tempo onde as coisas praticamente já estavam acabando, aos meus 17 tentei correr atrás e votar (antes da hora, num país onde o voto só acontece por ser obrigatório)mordaça. Recebo críticas de muitos os lados, não pessoalmente, mas direcionada à Juventude que faço parte. Recebo aquele tipo de crítica generalista falando de uma juventude apáti ca, a minha juventude que eu não vejo assim. Minha juventude é uma juventude amordaçada e não uma juventude apática. A graça disso é justamente sermos “rotulados” e ”amordaçados” pelas mesmas pessoas que há poucos anos atrás estavam atrás de “revolução” e “liberdade de expressão”.

juizNão vejo minha juventude tampouco “apolitizada”, vejo-nos aprisionados às centenas de falhas, ou melhor de acertos, que os atuais detentores do poder cometem para que não se repita a eles o que fizeram no passado. Minha juventude está afim de lutar, mas só de pensar em mudar algo somos julgados sem direito a defesa. Somos julgados pelo pior tribunal, formado por juízes sociais enrustidos em cada esquina, revista, jornal, sala de aula e dentro de nossas casas. As leis desse tribunal se baseiam, bem disfarçadamente, em demagogia, hipocrisia, falsa modéstia e principalmente na idéia da “continuidade de poder” e no famoso “embaixo do meu teto quem manda sou eu”.

O problema de nosso país, hoje, não está nas lutas que a juventude supostamente deixa de participar ou não, mas sim no comodismo de quem venceu uma batalha (pelo poder) e ficou extasiado o bastante para esquecer que a guerra era pelo direito de que todos os homens pudessem ter a sua voz ouvida (sendo jovens ou não). As juventudes antes de mim ganharam várias batalhas e mereceriam seus méritos caso não tivessem se rendido. Esse texto não é um chamado a levante para a minha juventude, mas um lembrete para que as antigas juventudes lembrem-se de algo que esqueceram. A minha luta ainda não aconteceu ou acontecerá, está acontecendo ao nosso modo!!!

Post Scriptum:

“Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem” – Rosa Luxemburgo

“Se não posso dançar, não é minha revolução”  – Ema Goldmann

  1. Fernando disse:

    Cara simplismente lindo e verdadeiro oque vc escreveu

  2. Fernanda disse:

    Primooo..arrasou no texto….fantástico….ameiiii..Parabénss

  3. Iza disse:

    Amei o post, me inspirou!

  4. Guto Mihadj disse:

    Que bom!!! é sempre bom quando conseguimos fazer isso!

  5. Walter Araújo Costa disse:

    Louvável seu entendimento sobre a juventude de hoje. Sensato, equilibrado, seguro. Embora o meu sentir sobre o assunto seja diverso, como você vê, é saudável admitir sua grandeza de pensamento ao tratar do tema.

  6. Carla disse:

    Como sempre, awesome, amado!
    By the way, tô voltando; a correria acabou!
    Bjo.

  7. cris disse:

    Eiu tinha comentado, mas ñ apareceu, acho que fiz algo errado…rs

  8. cris disse:

    Eu tinha comentado, mas ñ apareceu, acho que fiz algo errado…rs